Pular para o conteúdo
Novo

DeepSeek V4.1 Flash grátis por 7 dias: 10M tokens por dia após qualquer recarga. Até 30/11.

Como funciona

O que é DNS? Como nomes de domínio viram endereços IP

Como o DNS transforma nomes em endereços: resolvedores, servidores autoritativos, cache por TTL, registros A, AAAA, CNAME, MX e TXT, com teste seguro.

Iniciante6 min de leituraPor NotHoly

DNS (Domain Name System) associa nomes como example.com aos dados que o cliente precisa em seguida, quase sempre um endereço IP. As aplicações pedem um nome, e o DNS devolve registros. DNS não é um servidor web, um navegador nem uma camada de criptografia. Ele responde consultas de nomes e nada mais.

A versão curta

Quando você digita um nome no navegador, o sistema operacional ou o próprio navegador verifica primeiro o cache local. Se não houver resposta utilizável, o cliente envia uma consulta a um resolvedor recursivo. Esse resolvedor costuma ser mantido pelo seu provedor de internet, pela sua empresa ou por um serviço público, como o 8.8.8.8.

O resolvedor responde do cache quando consegue. Se não consegue, percorre a hierarquia do DNS. Ele pergunta a um servidor raiz quais servidores cuidam do domínio de primeiro nível (como o .com), pergunta a esse servidor quais nameservers o domínio usa e, por fim, pergunta a um desses nameservers autoritativos pelo registro. O servidor autoritativo guarda os dados reais. O resolvedor armazena a resposta pelo tempo que o TTL do registro permitir e depois a devolve ao cliente.

O tráfego real acrescenta outras etapas: cadeias de CNAME, validação DNSSEC, entradas no arquivo hosts local, transportes de DNS criptografados e várias camadas de cache. Depois que o DNS termina, o navegador ainda precisa abrir uma conexão, negociar TLS e esperar a resposta do servidor.

Registros que você vai encontrar primeiro

Registro O que guarda Observação para iniciantes
A Um endereço IPv4 para um nome Um nome pode ter vários registros A. A resposta pode mudar com balanceamento de carga, localização ou estado do cache.
AAAA Um endereço IPv6 para um nome Definido na RFC 3596. O nome continua o mesmo, e muda a família do endereço.
CNAME Outro nome do qual este nome é um alias O resolvedor segue o alias. Um nome com CNAME não pode ter outros dados (os registros DNSSEC são a exceção).
MX Servidores de e-mail do domínio, com um valor de preferência Mostra para onde o e-mail deve ir. Não diz nada sobre quão seguros esses servidores são.
TXT Texto livre, usado para verificação e políticas como o SPF Mostra o que o dono publicou. Não prova que todo controle relacionado está configurado ou aplicado.

Teste em um domínio que você pode documentar

Use um domínio que você possui ou administra. Se quiser só praticar, example.com é um dos nomes reservados para documentação (RFC 2606). Limite as consultas a nomes que você tem permissão para consultar e não varra hosts que você não tem permissão para testar.

No Linux ou no macOS, com o dig instalado:

bash
dig example.com A
dig example.com AAAA
dig example.com MX

No Windows, o nslookup já vem com o sistema operacional:

powershell
nslookup example.com
nslookup -type=AAAA example.com
nslookup -type=MX example.com

A saída abaixo foi capturada em uma máquina Windows em 8 de novembro de 2026, com nslookup, usando o resolvedor padrão da máquina (dns.google, 8.8.8.8). A resposta veio desse resolvedor, não do servidor autoritativo do domínio. A máquina exibiu os rótulos em português. Aqui eles aparecem em inglês. Os valores são um retrato do momento e vão mudar na sua máquina e em execuções posteriores.

text
Non-authoritative answer:
Server:  dns.google
Address:  8.8.8.8

Name:    example.com
Addresses:  2606:4700:10::ac42:93f3
	  2606:4700:10::6814:179a
	  172.66.147.243
	  104.20.23.154

O mesmo resolvedor devolveu um registro MX para o domínio:

text
example.com	MX preference = 0, mail exchanger = (root)

Um mail exchanger (root) significa que o destino é um ponto único. É um MX nulo, que informa aos remetentes que o domínio não aceita e-mail (RFC 7505).

Por fim, uma consulta TXT para o mesmo nome:

text
Non-authoritative answer:
Server:  dns.google
Address:  8.8.8.8

example.com	text =

	"_k2n1y4vw3qtb4skdx9e7dxt97qrmmq9"
example.com	text =

	"v=spf1 -all"

A segunda string é uma política SPF. O -all diz que nenhum servidor está autorizado a enviar e-mail por este domínio, o que combina com o MX nulo acima. A primeira string é um valor opaco; strings assim costumam servir para provar a um serviço que você controla o domínio. Como diz a tabela, um registro TXT mostra o que o dono publicou e não prova mais nada.

Dois detalhes desta execução. A linha Non-authoritative answer confirma que a resposta veio de um resolvedor (do cache ou de uma consulta dele), não do servidor do próprio domínio. E os endereços IPv6 vieram primeiro, mas não vale depender dessa ordem: uma execução posterior pode listá-los de outro jeito ou devolver endereços diferentes.

Para observar o cache, use o dig. Ele imprime um número de TTL antes de cada registro. Repita a mesma consulta dentro da janela do TTL. Se o resolvedor guardou a resposta, o segundo número será menor que o primeiro.

Cache e por que as respostas mudam

Cada registro tem um TTL, um tempo em segundos que informa aos resolvedores por quanto tempo eles podem guardar a resposta. Um TTL curto permite ao dono mudar um serviço rapidamente, mas também faz mais consultas chegarem aos servidores autoritativos. Um TTL longo reduz a carga, mas significa que respostas antigas podem continuar circulando por algum tempo depois de uma mudança.

Portanto, uma resposta é um retrato do momento. Dois resolvedores podem divergir durante uma mudança, e ambos podem estar corretos para o próprio cache. Quando precisar saber o que o dono publicou, pergunte direto a um nameserver autoritativo, por exemplo com dig example.com A @<nameserver>, usando um servidor dos registros NS do domínio, ou siga a cadeia com dig +trace example.com A.

DNS, OSINT e segurança

Consultar registros DNS públicos de um domínio é um primeiro passo comum em um inventário de ativos. Uma empresa pode revisar os próprios nomes, os próprios registros de e-mail e os endereços por trás deles. Pesquisadores costumam cruzar esses dados com logs de certificate transparency e informações de propriedade.

Duas coisas não decorrem de uma resposta DNS. Primeiro, um registro que aparece em um resultado de busca não é permissão para varrer o host para onde ele aponta. Segundo, um endereço IP não identifica quem opera a máquina. Provedores de hospedagem, CDNs e servidores compartilhados fazem um mesmo endereço atender muitos sites sem relação entre si.

Um registro suspeito também não é prova de ataque. Configurações erradas, serviços expirados e nomes abandonados são comuns. Verifique a resposta autoritativa, o histórico de alterações e o dono do domínio antes de tirar conclusões. Envenenamento de cache e spoofing são problemas diferentes, com evidências diferentes.

Erros comuns

  • Tratar uma única resposta como definitiva. Verifique o TTL e consulte de novo depois.
  • Ler um CNAME como se fosse um endereço IP. Siga o alias até chegar a um registro A ou AAAA.
  • Presumir que o resolvedor usado é o servidor autoritativo. A saída mostra qual servidor respondeu.
  • Ler um registro TXT como prova de que um controle de segurança funciona.
  • Varrer um host só porque o DNS apontou para ele. Consulta e varredura são ações diferentes, com permissões diferentes.

O que estudar a seguir

O DNS é uma etapa de uma requisição web. Depois, estude como HTTP e TLS tratam o que acontece quando o nome vira endereço, usando as RFCs e a documentação listadas nas fontes. Em seguida, leia o próximo artigo desta trilha, sobre OSINT, antes de fazer qualquer consulta como parte de reconhecimento. Limite sua prática a domínios e sistemas que você possui ou para os quais tem permissão por escrito.

Fontes

  1. RFC 1034: Domain Names, Concepts and Facilities
  2. RFC 1035: Domain Names, Implementation and Specification
  3. RFC 3596: DNS Extensions to Support IP Version 6
  4. RFC 2606: Reserved Top Level DNS Names
  5. RFC 7505: A "Null MX" No-Service Resource Record
  6. Microsoft Learn: nslookup
  7. ICANN: DNS basics

Mais em Redes e web

Redes e web

O que é TLS? Como o HTTPS protege o tráfego

TLS 1.3 dá ao HTTPS confidencialidade, integridade e autenticação do servidor. Veja o handshake, as cadeias de certificados e o que o cadeado não prova.

Iniciante12 min de leitura