Fundamentos de segurança
A tríade CIA: confidencialidade, integridade e disponibilidade
A tríade CIA explicada: confidencialidade, integridade e disponibilidade, com exemplos, verificações de hash e assinatura e dez incidentes.
O que a cibersegurança cobre, a tríade CIA, formas comuns de falha e um primeiro exercício seguro com hashes na sua própria máquina.
Cibersegurança é o trabalho de proteger computadores, redes, software e os dados que eles guardam contra acesso não autorizado, dano e uso indevido, e de colocá-los para funcionar de novo quando algo dá errado. O glossário do NIST define o termo como prevenir danos aos sistemas, protegê-los e restaurá-los, de modo que a informação continue disponível, íntegra, autêntica, confidencial e com não repúdio.
A definição é ampla de propósito. Cabe nela uma política de senhas, uma regra de firewall, um backup, uma revisão de código e uma ligação para confirmar um pedido de pagamento.
Quase todo trabalho de segurança se descreve com três propriedades. O glossário do NIST define cada uma.
Incidentes reais costumam atingir mais de uma. Um ransomware que também copia seus dados quebra disponibilidade e confidencialidade ao mesmo tempo. A tríade serve para perguntar "o que exatamente deu errado?", tanto do lado de quem ataca quanto de quem defende. Quem testa pergunta qual propriedade uma falha permite quebrar. Quem defende pergunta qual propriedade um controle protege.
Vulnerabilidade é uma fraqueza, como um programa sem atualização ou uma senha reaproveitada. Ameaça é algo que pode explorá-la, como um grupo criminoso ou um funcionário descuidado. Risco é a probabilidade e o impacto de isso acontecer. Quase nunca se elimina o risco; decide-se quais riscos reduzir, transferir ou aceitar.
Nenhuma delas exige habilidade avançada para causar estrago, e é por isso que o básico importa.
Nenhum controle sozinho barra tudo, então quem defende empilha camadas. Uma senha roubada não deveria bastar para chegar aos dados, e um notebook comprometido não deveria bastar para chegar a todos os servidores.
O NIST Cybersecurity Framework organiza as mesmas ideias em funções: Govern, Identify, Protect, Detect, Respond e Recover. Leia o próprio framework no site do NIST, em vez de um resumo dele.
A cibersegurança tem dois lados que dependem um do outro. Quem defende constrói e monitora sistemas. Quem atua em segurança ofensiva, como pentesters e red teams, ataca sistemas para achar fraquezas antes dos criminosos. O lado ofensivo só é legítimo com autorização: suas próprias máquinas, um laboratório que você montou ou um alvo cujo dono deu permissão por escrito e um escopo definido. Um sistema estar acessível pela internet não significa que você pode testá-lo.
Dá para ver a integridade em ação com uma função de hash. Um hash criptográfico como o SHA-256 transforma qualquer entrada em uma impressão digital de tamanho fixo. Troque um caractere da entrada e a impressão muda por completo. É assim que você confere se um arquivo baixado é o mesmo que o fabricante publicou.
Estes comandos foram executados no Git Bash, no Windows 11. Também funcionam em um terminal Linux ou macOS que tenha sha256sum (no macOS, use shasum -a 256). Eles mexem só no texto que você digita e não tocam na rede.
printf 'notholy' | sha256sum | cut -d' ' -f1
printf 'notholy2' | sha256sum | cut -d' ' -f122d877c3c676415aa2de4720884d52a36b60beff37f0c5468dc45ac9366e3c22
500b373e094e8eaa968be463e24fb8c944bb04d325a1da543ad91972a0a700aeAs duas entradas diferem por um caractere, e os hashes não têm nada em comum à vista. O hash é de mão única: você não calcula notholy a partir do resultado, só pode calcular o hash de um palpite e comparar. Um hash sozinho não prova quem publicou um arquivo, só que o conteúdo bate com um valor que você obteve de um lugar confiável.
Agora teste com um arquivo real. Baixe qualquer instalador do site oficial de um fabricante, ache o checksum que ele publica e compare com a saída do sha256sum na sua cópia. Se os valores forem diferentes, não execute o arquivo.
Comece pelos hábitos pequenos: atualizações ligadas, um gerenciador de senhas, autenticação multifator nas contas importantes. Depois aprenda como redes e a web funcionam, porque quase todo ataque e toda defesa se apoiam nelas. O próximo artigo trata de criptografia, incluindo hashing, com mais profundidade. Para praticar, rode uma aplicação de treino propositalmente vulnerável, como o OWASP Juice Shop, em um laboratório seu, ou use a NotHoly para planejar e revisar o trabalho no seu próprio laboratório. Mantenha todo teste dentro de sistemas que você tem permissão para tocar.
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